Estratégia de TI
Fim da taxa das blusinhas: o que muda pra quem vende moda online
Imposto de 20% zerado em compras de até US$ 50: veja o que a mudança significa pra preço, margem e canal de quem vende moda online, e como reagir sem pânico.
22 de setembro de 2026|14 min de leitura
No dia 10 de setembro de 2026, o presidente Lula sancionou a lei que acaba com a chamada taxa das blusinhas. Se você vende roupa, calçado ou acessório pela internet, já deve ter ouvido de tudo nos últimos dias: que o varejo nacional vai sofrer, que nada vai mudar, que o consumidor vai ganhar. O problema é que quase ninguém conversa com quem toca uma loja pequena e precisa decidir o que fazer na segunda-feira.
Este texto tenta fazer isso. Vamos separar o que a lei diz do que ainda está em aberto, olhar os poucos dados de vendas que existem, e montar um roteiro prático pra você decidir preço, canal e estoque sem pânico. Não vamos defender nem criticar a medida. A ideia é entender o efeito e se preparar.
O que exatamente mudou com a nova lei?
A lei sancionada em 10 de setembro (o PLV 13/2026, que converte a Medida Provisória 1.357, de maio de 2026) zera o imposto de importação de 20% nas compras de até US$ 50, o equivalente a cerca de R$ 257, feitas pela internet e enviadas pelos Correios. Era essa a "taxa das blusinhas", segundo o Mercado&Consumo.
Pra quem compra de plataformas internacionais, isso muda a conta de uma peça pequena: camiseta, blusa, bijuteria, acessório. Mas a mudança não acaba aí. Acima dessa faixa de US$ 50, a alíquota cai de 60% pra 30%. Ou seja, o desconto alcança também compras maiores, o que importa pra quem pensava que o efeito ficaria restrito a "blusinha de R$ 40".
Sobre o limite superior dessa segunda faixa, as fontes divergem. Algumas falam em R$ 3 mil por remessa, outras em US$ 3.000. Vamos ser honestos: o teto exato deve ser conferido no texto da lei. Pra efeito de planejamento de uma loja de moda, o que importa é que a faixa de maior movimento (peças baratas e médias) está coberta pelas duas regras.
O preço final cai 20%? Não exatamente
Muita gente leu "imposto de 20% zerado" e concluiu que tudo ficaria 20% mais barato. Não é isso. O ICMS estadual, que fica entre 17% e 20%, continua valendo. Por causa dele, segundo o economista Alexandre Espirito Santo, citado pelo O Tempo, o preço final cai cerca de 16,7%, e não 20%.
Um exemplo hipotético ajuda a visualizar. Imagine uma blusa importada que chegava na casa da cliente por R$ 120. Com uma queda de 16,7%, ela passaria a custar perto de R$ 100. É uma diferença que a consumidora percebe, mas que não transforma uma peça cara em peça barata. Quem já comprava de plataformas internacionais vai comprar um pouco mais. Quem nunca comprou provavelmente continua sem comprar.
O que não mudou
Vale listar o que continua igual, porque isso também orienta suas decisões:
- O ICMS estadual segue sendo cobrado.
- O prazo de entrega de produtos que vêm de fora continua sendo o que sempre foi. Imposto menor não encurta frete.
- A troca e a devolução de uma compra internacional continuam, na prática, mais complicadas do que as de uma loja brasileira.
- A experiência de provar, ajustar e receber atendimento humano segue sendo uma vantagem de quem vende aqui.
Guarde esse último ponto. Ele vai voltar mais pra frente, quando falarmos de onde você compete.
O que ainda não está claro e quais são as travas da lei?
A lei traz salvaguardas importantes: o Ministro da Fazenda pode alterar as alíquotas, o texto autoriza limites de quantidade e frequência de compras, e prevê mecanismos contra o fracionamento de remessas. A Fazenda deve avaliar a medida periodicamente, e o Congresso, todo ano, segundo o Meu Tudo e o Mercado&Consumo.
Traduzindo: as regras de hoje podem não ser as de daqui a um ano. Isso tem uma consequência prática pra você. Qualquer plano de negócio que dependa de a medida ficar exatamente como está, pra sempre, é frágil. O mesmo vale pro plano contrário, o de apostar que a concorrência estrangeira vai "explodir" e te engolir.
Fracionamento e limites de compra
O que é "fracionar remessa"? É dividir uma compra grande em vários pacotinhos menores pra cada um ficar abaixo do limite de isenção. A lei prevê mecanismos pra combater isso. Também autoriza limites de quantidade e de frequência: em outras palavras, o governo pode restringir quantas vezes a mesma pessoa se beneficia da regra.
Ainda não dá pra saber como isso será aplicado no dia a dia. Por isso, trate os próximos meses como um período de observação. Acompanhe as regulamentações e as notícias do setor, sem tomar decisões grandes baseadas em hipóteses.
Uma lei com revisão embutida
A previsão de avaliação periódica pela Fazenda e anual pelo Congresso mostra que o próprio texto assume que a medida pode ser ajustada. Pra um pequeno lojista, a lição é simples: monte seu planejamento de 2026 e 2027 em cenários. Um cenário em que a regra segue como está, outro em que ela é endurecida, outro em que as alíquotas mudam. Você não precisa de planilha sofisticada. Precisa só de uma folha com "e se?" escrito no topo.
O que os dados de vendas do varejo dizem (e o que não dizem)?
Em julho, as vendas de tecidos, vestuário e calçados caíram 2,7% frente a junho, segundo o IBGE. O varejo total recuou 0,8% na mesma comparação. Contra julho de 2025, a queda em volume foi de 4,7%, a segunda queda anual seguida depois de -1,7% em junho. Os dados vêm do Mercado&Consumo e do Brasil 247.
No acumulado de janeiro a julho, o setor de tecidos, vestuário e calçados está em -0,9%. Móveis e eletrodomésticos tiveram queda de 4,9% sobre junho. À primeira vista, parece um quadro ruim pra moda. Mas é preciso cuidado com a leitura.
Correlação não é causa
Aqui entra a parte que muita manchete pulou: ninguém provou que a queda de julho tem relação com a taxa das blusinhas. O Mercado&Consumo atribui o resultado de julho a uma "ressaca" da Copa do Mundo, ou seja, o consumo que foi puxado antes e depois desacelerou. Um executivo ouvido na matéria citou o clima como outro fator.
Além disso, as fontes que li não apresentam nenhuma medição que ligue a queda de julho à taxa. Se alguém te disser que "as vendas já caíram por causa do fim da taxa", peça o dado: com o que foi publicado até aqui, essa relação não está demonstrada.
O que dá pra tirar disso
Os dados mostram um varejo de moda fraco em julho, por motivos que ainda estão em discussão. Eles não mostram o efeito do fim da taxa, porque nenhuma das fontes mede esse efeito. Os números de agosto e setembro, quando saírem, serão mais úteis pra essa pergunta, e mesmo eles terão ruído de outros fatores.
Pra você, a lição é de método: antes de culpar a concorrência estrangeira por uma queda nas suas vendas, olhe se o seu setor inteiro caiu pelos mesmos motivos. Falaremos mais disso numa seção específica sobre como ler os seus próprios números.
A concorrência é mesmo toda igual? O que dizem Shein e Renner?
O impacto não é uniforme. A Renner registrou GMV digital (o valor total vendido online) de R$ 837,6 milhões no segundo trimestre, alta de 13,1%, e Renner e Marisa tiveram lucro maior, segundo o O Tempo. Ou seja, parte do varejo nacional de moda cresce mesmo com a concorrência internacional.
Isso desmonta a ideia de que "o varejo nacional inteiro vai quebrar". Redes grandes têm marca forte, loja física, logística própria e poder de compra. O pequeno lojista tem outras armas, e vamos chegar nelas. O ponto aqui é que o efeito da medida varia muito conforme o tipo de negócio.
O que a Shein afirma
A Shein, em nota divulgada via Estadão Conteúdo e publicada pelo Diário de Pernambuco, chamou o fim da taxa de vitória pros consumidores brasileiros. A empresa diz ter mais de 50 milhões de consumidores brasileiros e mais de 45 mil vendedores brasileiros no seu marketplace. São números da própria empresa, e valem como declaração dela, não como dado independente.
O detalhe que interessa a quem vende: esse número de vendedores brasileiros indica que a plataforma também é um canal de venda pra quem fabrica ou revende moda no país. Pra alguns lojistas, a Shein é concorrente. Pra outros, é vitrine. Faz sentido se perguntar em qual lado você está, ou se pode estar nos dois.
Regras pras plataformas
Os marketplaces que participam do programa Remessa Conforme (Shein, Shopee, Amazon e AliExpress, entre eles) precisam verificar os dados dos vendedores, manter canais de denúncia e enviar relatórios trimestrais ao Conselho Nacional de Combate à Pirataria. Pra um lojista de moda que vende por essas plataformas, isso pode significar mais exigência de cadastro e documentação. Pra quem sofre com cópia do seu estampado, pode significar um canal de reclamação mais claro.
Não dá pra prometer resultado prático disso. Mas vale conhecer a existência do canal, caso você precise dele.
Se o preço não for sua arma, onde você compete?
Quem tenta vencer uma plataforma internacional só no preço de uma peça básica geralmente perde, porque o outro lado tem escala, e a escala derruba o custo unitário. O varejista pequeno tem mais chance onde a plataforma é fraca: prazo, troca, tamanho certo, atendimento e história. Esses fatores não dependem de imposto, e seguem iguais depois da nova lei.
Pense em cada um deles como uma pergunta que você faz sobre a sua loja.
Velocidade de entrega
Seu produto chega em quantos dias? Quem compra uma blusa pra usar no fim de semana não espera semanas. Se você tem estoque local e despacha rápido, esse é um argumento de venda que vale mais do que alguns reais de diferença. Coloque o prazo estimado de entrega bem visível na página do produto, e não só no carrinho.
Política de troca e devolução
Moda tem um problema que poucos produtos têm: tamanho e caimento. A pessoa não sabe se vai servir. Uma política de troca clara, simples e sem burocracia reduz o medo de comprar. Em compras internacionais, trocar costuma ser lento e trabalhoso. Se você oferece uma troca fácil, está vendendo tranquilidade, e isso tem valor.
Ajuda com tamanho e caimento
Tabela de medidas em centímetros, foto do produto em corpos diferentes, vídeo curto mostrando o tecido e uma pessoa pra tirar dúvida: tudo isso diminui a devolução e aumenta a confiança. Responder a dúvida de tamanho rápido, no canal que a cliente já usa, tira o principal motivo de abandono antes que ela vá comparar em outro lugar.
Estoque local e atendimento no WhatsApp
Ter a peça aqui, pronta pra sair, é uma vantagem concreta. Combine isso com atendimento humano por WhatsApp: mandar foto da peça real, sugerir combinação, avisar que chegou a cor que a cliente queria. É um tipo de relacionamento que um marketplace gigante não faz.
História da marca
Por fim, a história. Quem faz a roupa? De onde vem o tecido? Por que essa estampa existe? Marcas pequenas que contam isso com honestidade criam um vínculo que preço baixo não cria. Não precisa ser um texto longo. Precisa ser verdadeiro e fácil de achar.
Como mexer em preço e margem sem se machucar?
Cortar preço pra "acompanhar o mercado" é a reação mais comum e a mais perigosa. Uma queda de 16,7% no preço de um concorrente não significa que você precise baixar 16,7%. Antes, calcule quanto sobra em cada venda. Uma pequena redução de preço pode consumir uma fatia enorme da margem, e exigir muito mais vendas pra compensar.
Vamos a um exemplo hipotético, com números redondos. Uma blusa custa R$ 60 pra você produzir ou comprar. Você vende por R$ 120. Do preço, saem ainda cerca de R$ 30 em taxa de plataforma, embalagem, frete subsidiado e impostos. Sobram R$ 30 de margem por peça, ou 25% do preço.
Agora imagine que você decida baixar o preço pra R$ 100 pra "acompanhar" a queda de 16,7%. Os R$ 60 de custo seguem iguais. Os R$ 30 de despesas, no nosso exemplo simplificado, também. A margem por peça cai de R$ 30 pra R$ 10. Pra ganhar o mesmo valor total no mês, você precisaria vender três vezes mais. Essa é a armadilha: o desconto parece pequeno, mas a margem encolhe de forma desproporcional.
A guerra de preços raramente tem vencedor pequeno
Quem entra numa guerra de preços contra empresas com muito mais escala costuma ser quem fica sem caixa primeiro. E caixa curto leva a outros problemas: atraso com fornecedor, estoque parado, falta de dinheiro pra reposição. Se você precisar mexer em preço, faça com critério e por tempo definido.
Alternativas ao desconto direto
Antes de baixar o preço de tabela, pense em outras formas de dar valor:
- Monte kits (por exemplo, duas peças que combinam) com preço fechado, em vez de reduzir cada peça.
- Ofereça frete grátis a partir de um valor, o que aumenta o ticket médio em vez de diminuir a margem por peça.
- Dê um brinde de baixo custo, como uma embalagem especial ou um cartão escrito à mão.
- Crie uma linha com acabamento ou modelagem que a plataforma internacional não tem, e que justifique um preço diferente.
- Reveja seus fornecedores e custos antes de mexer no preço final. Às vezes a economia está do lado de dentro.
Nenhuma dessas ideias é mágica. Todas são melhores do que perder margem sem plano.
Como ler seus próprios números antes de reagir?
Antes de qualquer mudança, olhe as suas métricas das últimas semanas. Três números contam quase toda a história de uma loja de moda online: conversão (quantas visitas viram compra), ticket médio (quanto cada cliente gasta) e taxa de devolução. Se eles ainda estão estáveis, provavelmente você não precisa de mudança drástica agora. Se algum caiu, descubra por quê antes de agir.
Um checklist de 15 minutos
Pegue sua plataforma de loja, sua planilha ou seu painel de vendas e responda:
- Minhas vendas das últimas quatro semanas estão acima, abaixo ou iguais às quatro semanas anteriores?
- A queda ou alta é parecida com a do mesmo período do ano passado, ou é diferente?
- A conversão (compras divididas por visitas) mudou? Se as visitas caíram mas a conversão se manteve, o problema é de tráfego, não de preço.
- O ticket médio mudou? Se ele caiu, pode ser que clientes estejam comprando peças mais baratas ou usando menos itens por pedido.
- A taxa de devolução subiu? Se sim, olhe tamanho, descrição e foto antes de olhar preço.
- De onde vêm minhas vendas: Instagram, busca, WhatsApp, marketplace? Algum canal específico caiu?
- Houve algum fator externo no período: feriado, clima, evento esportivo, mudança no meu anúncio?
Esse exercício é parecido com o que o próprio mercado teve que fazer com os dados de julho. Lembre: a matéria que trouxe os dados atribuiu a queda a fatores como a Copa do Mundo e o clima. Sua loja também pode estar passando por algo parecido.
O que monitorar daqui pra frente
Em vez de reagir a manchete, crie uma rotina curta. Toda semana, anote conversão, ticket médio e taxa de devolução. Uma vez por mês, compare com o mesmo mês do ano anterior. Isso leva menos de meia hora e te dá um mapa honesto do que está acontecendo. Se, daqui a dois meses, você notar uma queda constante nas categorias de peças baratas (por exemplo, básicos e acessórios), aí sim há uma pista consistente pra investigar.
Quais são os erros mais comuns nesse momento?
O erro mais comum em momentos de mudança é reagir ao barulho em vez de aos números. Cortar preço, trocar de fornecedor ou fazer estoque grande com base em manchete costuma custar caro. A maioria dos erros abaixo vem de decidir rápido demais, com informação incompleta.
- Baixar preço de tudo ao mesmo tempo. Se for mexer, comece por poucas peças e observe o resultado antes de espalhar.
- Assumir que a queda de julho foi culpa da taxa. Como vimos, as fontes apontam outras explicações e nenhuma mede o efeito da taxa.
- Ignorar o ICMS. Quem pensa que o concorrente ficou 20% mais barato está calculando errado. O número usado nas análises é de cerca de 16,7%.
- Comprar estoque grande de básicos baratos. É justamente a categoria mais exposta à comparação direta de preço.
- Esquecer que a lei pode mudar. Alíquotas podem ser alteradas e há revisões previstas. Planejar como se o cenário fosse eterno é arriscado.
- Parar de investir em atendimento e conteúdo. É o oposto do que ajuda. Seu diferencial está aí.
- Depender de um canal só. Se toda a sua venda vem de um marketplace ou de uma rede social, qualquer mudança de regra te atinge forte.
- Não olhar a devolução. Uma venda que volta custa frete duas vezes e ainda deixa a cliente frustrada.
O erro invisível: não decidir nada
Existe também o erro oposto, mais silencioso. Algumas pessoas ficam tão incomodadas com a incerteza que simplesmente não fazem nada, nem revisam preço, nem testam um canal novo, nem melhoram a página de produto. Observar é diferente de ficar parado. Defina duas ou três pequenas ações pra testar nas próximas semanas e acompanhe o efeito de cada uma.
E se eu revendo produtos importados?
Se a sua loja compra peças de fora (de plataformas internacionais ou de fornecedores estrangeiros) pra revender no Brasil, preste atenção em um ponto: a lei prevê controles contra o uso do regime simplificado pra revenda. A isenção foi pensada pra compra de pessoa física pra consumo próprio. Usar esse caminho como canal de abastecimento de loja pode virar um problema.
Pra quem trabalha assim, a primeira providência é entender em qual regime sua importação se enquadra. Converse com um contador antes de fazer o próximo pedido. As salvaguardas do texto (limites de quantidade e frequência, mecanismos contra fracionamento) ficam mais relevantes quanto mais volume você traz.
O que fazer na prática
- Revise de onde vêm suas mercadorias e como elas entram no país.
- Guarde notas, comprovantes e registros de cada remessa.
- Não fracione pedidos pra ficar abaixo do limite. A lei prevê mecanismos pra detectar isso.
- Considere alternativas de abastecimento nacional, ainda que mais caras, se a sua operação depende de um caminho que pode ser restringido.
- Acompanhe as regulamentações, já que o Ministro da Fazenda pode alterar alíquotas e os controles podem ficar mais rígidos.
Este texto não substitui orientação fiscal. Cada negócio tem uma situação diferente, e um contador pode olhar o seu caso específico.
Perguntas rápidas
A taxa das blusinhas acabou pra qualquer compra internacional?
Não. O imposto de 20% foi zerado para compras de até US$ 50 (cerca de R$ 257) feitas online e enviadas pelos Correios. Acima disso, a alíquota cai de 60% pra 30%. O limite superior dessa segunda faixa aparece de formas diferentes nas fontes, então o teto exato deve ser conferido no texto da lei.
Os produtos importados vão ficar 20% mais baratos?
Não exatamente. Como o ICMS estadual (17% a 20%) continua, o economista Alexandre Espirito Santo estima que o preço final cai cerca de 16,7%. No exemplo hipotético de uma blusa de R$ 120, isso levaria o preço a perto de R$ 100.
As vendas de moda caíram por causa do fim da taxa?
Isso não está provado. Em julho, as vendas de tecidos, vestuário e calçados caíram 2,7% sobre junho, mas nenhuma das fontes mede o efeito da taxa. O Mercado&Consumo atribui a queda a uma ressaca da Copa do Mundo, e um executivo citou o clima como outro fator.
Preciso baixar meu preço agora?
Provavelmente não de imediato. Primeiro olhe conversão, ticket médio e taxa de devolução. Se estiverem estáveis, invista em prazo, troca, atendimento e conteúdo. Se decidir mexer em preço, calcule a margem antes: no nosso exemplo hipotético, uma redução de R$ 20 em R$ 120 derruba a margem de R$ 30 pra R$ 10.
A regra pode mudar?
Pode. A lei permite que o Ministro da Fazenda altere alíquotas, prevê limites de quantidade e frequência de compras e mecanismos contra fracionamento, e determina avaliação periódica pela Fazenda e anual pelo Congresso. Por isso, planeje em cenários e não aposte que tudo ficará exatamente como está hoje.
Vale vender em marketplace como a Shein?
Depende do seu produto e da sua margem. A Shein diz ter mais de 45 mil vendedores brasileiros, o que mostra que a plataforma também funciona como canal pra quem produz no país. Marketplaces do programa Remessa Conforme precisam verificar dados de vendedores, então prepare sua documentação. Teste com poucas peças antes de apostar tudo.
Onde a Diglion entra
A Diglion ajuda lojas de moda a montar um painel simples com conversão, ticket médio e taxa de devolução por canal, pra você decidir preço com base nos seus números e não em manchete. Também estruturamos loja própria, integração com WhatsApp e catálogo com tabela de medidas, pra você competir em prazo e atendimento, e revisamos o cálculo de margem por produto antes de qualquer mudança de preço.
Fontes consultadas
- Mercado&Consumo, Isenção da taxa das blusinhas em compras até US$ 50 é sancionada, consultado em 2026-09-22.
- Mercado&Consumo, Vendas no comércio caem 0,8% em julho com ressaca da Copa do Mundo, consultado em 2026-09-22.
- Brasil 247, Fim da taxa das blusinhas afeta varejo e indústria têxtil; vendas caem, consultado em 2026-09-22.
- Diário de Pernambuco, Shein: fim da taxa das blusinhas é vitória para consumidores brasileiros, consultado em 2026-09-22.
- Meu Tudo, Taxa das blusinhas acabou: confira quais compras internacionais terão menos ou zero imposto, consultado em 2026-09-22.
- O Tempo, Entre críticas e elogios, fim da taxa das blusinhas é negativo para varejo nacional, consultado em 2026-09-22.
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